Thursday, July 27, 2006

Entrevista - Profª Alice Keefer


De Barcelona, na Espanha, a professora Alice Keefer, deu entrevista ao SinBiesp Notícias, na qual aborda as novas possibilidades no mercado de trabalho para os bibliotecários, além de contar sobre a sua rica trajetória profissional e o cenário atual das bibliotecas na Espanha, onde as unidades públicas se beneficiaram de uma política de investimentos na área.
Segundo Alice Keefer, que ministrará as aulas de seminário promovido pelo SinBiesp dia 15 de setembro, estudos recentes sobre o crescimento dos repositórios institucionais digitais mostram que a maioria se encontra sob a responsabilidade da biblioteca ou do serviço de informação. “Isto é muito positivo e é importante que fique assim: as bibliotecas têm que manter a capacidade de se responsabilizar pela gestão da informação digital como sempre fizeram com recursos de informação em suportes tradicionais”, afirma a professora nesta entrevista.
SinBiesp - Em sua trajetória como profissional da informação, quando e como ficou claro o novo rumo que se abria na profissão?
A. Keefer – Desde 1977, portanto há 28 anos, eu trabalho com sistemas informáticos. Tive um trabalho com a agência norte-americana do ISSN, sediada na Biblioteca do Congresso dos EUA e usávamos o banco de dados OCLC para a localização de publicações periódicas nacionais e a introdução posterior do ISSN e o título chave assinados por nosso centro. Este contato inicial me estimulou a ver a capacidade das conexões em linha e dos bancos de dados para a recuperação da informação. Alguns anos mais tarde, trabalhei na biblioteca da Organização dos Estados Americanos (OEA), também em Washington, justamente quando esta organização começou a automatizar alguns de seus processos. Ou seja, durante este período de minha vida profissional tive a oportunidade de ser testemunha dos primeiros passos da incorporação de novas tecnologias no mundo das bibliotecas.
Morando na Espanha, desde 1984, fui co-fundadora em 1989 de uma empresa – DOC6 - dedicada a diferentes aspectos da automatização das bibliotecas e o acesso da informação digital. Ali fui a responsável pela comercialização dos serviços da OCLC nas bibliotecas espanholas, principalmente nas universitárias. Presenciamos muitos avanços, desde a extensão dos CD-Roms nas bibliotecas espanholas no início da década até a explosão dos serviços web ao final da década. Ao trabalhar como intermediária, tive a oportunidade de conhecer o impacto dessas mudanças tecnológicas – tanto positivos como negativos – sobre os fornecedores e as bibliotecas. Foi quando comecei a dar conta da profunda transformação que isso representava para todos os envolvidos: bibliotecas, intermediários, editores,etc. Fiquei tão impressionada que, inclusive, escrevi um artigo sobre essas mudanças: “Nuevos retos para los provedores de servicios de información” [En: Item 18, gener-juny 1996, pag. 28-34].
Pouco depois passei a trabalhar na Faculdade de Biblioteconomia e Documentação da Universidade de Barcelona, onde pude observar esta evolução permanente para tentar preparar meu alunos para o mundo do trabalho que lhes espera.
SinBiesp - No Brasil, os bibliotecários se ressentem da baixa valorização da profissão em relação a outras carreiras. Como é na Espanha o posicionamento do bibliotecário no mercado de trabalho?
A. Keefer - As coisas melhoraram muito na Espanha nos 20 anos que vivo aqui. Por exemplo, os estudos de biblioteconomia e documentação já estão reconhecidos em nível universitário e já existe um programa de doutorados. As bibliotecas universitárias passaram para um nível de profissionalismo igual aos demais países europeus e as públicas, em determinadas comunidades, também se beneficiaram de maiores investimentos. Creio que a entrada da Espanha na Comunidade Européia foi um passo muito importante para que o sistema de bibliotecas (igual ao que ocorreu em outros setores) se modernizasse depois de muitos anos de abandono, graças aos exemplos dos demais países e também dos investimentos europeus através de diferentes programas de desenvolvimento e projetos de pesquisa. Por exemplo, a Biblioteca Virtual Chillias, voltada para o usuário infantil, foi produto de um projeto europeu no qual participou a rede de bibliotecas populares da província de Barcelona. (
http://www.diba.es/chilias/inici.asp)
Creio que os bibliotecários do setor público tenham se beneficiado mais, enquanto no setor privado as condições são muito desiguais – entre diferentes ramos e entre diferentes regiões geográficas.
SinBiesp - Qual a sua opinião a respeito da leitura como indutor do desenvolvimento? Nos países avançados, é necessário continuar estimulando a leitura? Isso acontece? Como?
A. Keefer - Creio que a leitura volta a encontrar-se ameaçada no mundo mais “avançado”, devido aos entretenimentos introduzidos pelas novas tecnologias: internet, jogos informáticos, o “messenger”, etc. Embora não me dedique profissionalmente a este tema, sei que e rede de bibliotecas públicas de Barcelona dedica muitos esforços para a promoção da leitura. Mas não sei se realmente eles têm tido muito êxito contra a concorrência dos poderosos setores econômicos que buscam sempre ampliar seus mercados.
SinBiesp - Com o surgimento da internet, a profissão de bibliotecário já mudou bastante. Quais os novos campos de atuação que estão sendo mais explorados pelos bibliotecários europeus?
A. Keefer - É evidente que a responsabilidade passa da gestão de *documentos* para a gestão da *informação” que pode não estar fisicamente nas bibliotecas. Ao mesmo tempo, implica em uma mudança cara ao usuário. Assim, algumas das atividades previstas para os bibliotecários no futuro serão:
ensinar e assessorar sobre o uso de recursos web – estes podem ser fáceis de recuperar mas por sua vez podem ser muito complexos: por exemplo, o Geographical Information Systems;
criar novos recursos de informação baseados em material de diferentes fontes;
estruturar e administrar webs;
realizar buscas inteligentes na rede.
Claro que nem todos poderão assumir estas novas funções [eu, por exemplo], mas o que é importante é que a biblioteca não deixe que estas novas atividades passem às mãos de outros setores, por exemplo, os profissionais de informática. Estudos recentes sobre o crescimento dos repositórios institucionais digitais mostram que a maioria se encontra sob a responsabilidade da biblioteca ou do serviço de informação. Isto é muito positivo e é importante que fique assim: as bibliotecas têm que manter a capacidade de se responsabilizar pela gestão da informação digital como sempre fizeram com recursos de informação em suportes tradicionais.
SinBiesp - Além do seminário no SinBiesp, que permitirá o contato com bibliotecários que atuam no Brasil, o que mais você pretende conhecer no país no campo profissional?
A. Keefer - O motivo desta viagem ao Brasil é para uma série de conferências que meu marido (médico) fará. Quando decidi acompanhá-lo, também queria aproveitar minha estada em São Paulo para ter algum contato com o universo profissional. E acabei aceitando o convite da presidente do SinBiesp, Vera Stefanov, com a qual tive contato com uma aluna brasileira do programa de doutorado da Universidade de Barcelona, Rute Santos. Se o tempo permitir, gostaria de ter oportunidade de conversar com outros profissionais do SinBiesp para conhecer a situação atual no Brasil relacionada com os temas que mais me ocupam atualmente: gestão dos recursos digitais, repositórios institucionais e preservação dos recursos digitais.


Leonor Bueno

Shiyali Ramamrita Ranganathan

Bibliotecários ilustres.


Shiyali Ramamrita Ranganathan, Shiyali, Índia (1892-1972).
Bibliotecário, matemático e professor universitário indiano, Ranganathan é o autor do Sistema de Classificação de Colon e das 5 Leis da Biblioteconomia.
SHIYALI RAMAMRITA RANGANATHAN
Ranganathan nasceu em uma vila rual na cidade de Shiyali, estado de Tamil-Nadu no sul da Índia em 09 de agosto de 1892. Sua formação em Matemática ocorreu na instituição de ensino superior Madras Christian College onde obteve o seu licenciamento como professor. Ranganathan foi docente em várias institutições de ensino em Mangalore, Coimbatore e Madras. Escreveu vários trabalhos na área de Matemática, muitos deles em História da Matemática.

Em 1923, a Universidade de Madras criou o posto de Bibliotecário para desenvolver e organizar o seu, até então, pobre acervo. Após um processo seletivo em que passaram 900 candidatos, o Comitê de Pesquisa considerou que nenhum dos postulantes tinha formação e treinamento em Biblioteconomia. Ranganathan satisfez o Comitê de Pesquisa preparando-se para a entrevista através da leitura de um artigo sobre Biblioteconomia na Encyclopaedia Britannica. Ranganathan foi aceito à posição de Bibliotecário em janeiro de 1924.

Inicialmente, Ranganathan considerou que a dedicação exigida pelo cargo era intolerável. Após algumas semanas, mais ambientado e compreenddendo melhor a atividade, Ranganathan solicitou dispensa de suas atividades docentes para dedicar-se totalmente à atividade bibliotecária. O bibliotecário solicitou à Universidade de Madras uma viagem de estudos a Londres para aprimorar-se nos conhecimentos e práticas atualizadas em Biblioteconomia.

Ranganathan viajou até a University College London que possuia o único programa de graduação em Biblioteconomia no Reino Unido. Em seus estudos, Ranganathan aprofundou-se nos assuntos afetos à classificação, tema sedutor para sua mente “matemática”, entre eles a popular classificação decimal em que Ranganathan exploraria novas possibilidades.

Ranganathan desenhou, ainda na Inglaterra, a Classificação de Colon que seria refinada em seu retorno à India. Além da Classificação de Colon, o retorno à Índia trouxe em sua bagagem uma profunda paixão pelas Bibliotecas e pela Biblioteconomia e a visão da importância da área para a nação indiana. O bibliotecário retomou a sua posição de Bibliotecário na Universidade de Madras mas também ajudou a fundar Associação de Bibliotecas de Madras que exerceu um ativo “lobby” em prol da implantação de bibliotecas públicas na Índia e criação da Biblioteca Nacional da Índia.

Ranganathan era considerado um “workaholic”. Durante as quase duas décadas em que trabalhou em Madras, Ranganathan realizava jornadas diárias de 13 horas, sete dias por semana. Ranganathan casou-se em novembro de 1928 e retornou ao trabalho logo depois da cerimônia de casamento. Seu casamento com Sarada durou até a sua morte e o casal teve um único filho.

Para consolo de muitos bibliotecários que passam por problemas com as administrações superiores de instituições de ensino superior, Ranganathan retirou-se de sua posição de Bibliotecário da Universidade de Madras após entrar em conflito com o novo Vice-Chanceler da Universidade. Com 54 anos, resignou-se, após um período de depressão, aceitando a docência em Biblioteconomia na Universidade Hindu in Banaras, sua última posição acadêmica, em agosto de 1945. Em Banaras, Ranganatan classificou, pessoalmente, 100.000 itens bibliográficos em 4 anos.

Ranganathan liderou a Associação Indiana de Bibliotecas de 1944 a 1953. O bibliotecário alimentou controvérsias quando a Biblioteca Pública de Delhi optou pela Calssificação Decimal de Dewey em detrimento de sua Classificação de Colon. Ranganathan foi professor hanorário da Universidade de Delhi entre 1949 a 1955 e ajudou a construir o programa de Biblioteconomia da Universidade junto com S. Das Gupta, seu aluno.

Ranganathan mudou-se para Zurich em 1955 onde morou até 1957 por ocasião do casamento de seu filho com uma européia. Quando retornou para Índia, instalou-se em Bangalore onde viveu até seus últimos dias. Ainda em Zurich, Ranganathan abriu mão de sua posição de professor da Universidade de Madras em homenagem aos 30 anos de dedicação de sua esposa, um gesto irônico de retaliação aos muitos anos de perseguição sofrido por ele imposto pela administração da Universidade.

O Centro de Documentação em Pesquisa e Formação em Bangalore foi a última instituição em que Ranganathan atuou (1962 a 1965) servindo como diretor honorário durante cinco anos. Em 1965, Ranganathan foi condecorado pelo governo indiano com o título de “National Research Professor”.

Nos últimos anos de sua vida, Ranganathan teve sua saúde comprometida passando longo tempo confinado em sua cama. Em 27 de setembro de 1972 morreu por complicações decorrentes de bronquite.

Ranganathan é considerado o pai de Biblioteconomia na Índia e sua influência continua em todo mundo. Entre as suas contribuições à Biblioteconomia está o primeiro sistema de classificação analítico-sintético, a Classificação de Colon.

Ranganathan era um autor prolífico e entre as suas importantes obras estão:
As cinco leis da Biblioteconomia (1931);
Classified Catalogue Code (1934);
Prolegômenos à Classificação em Bibliotecas (1937)
Elementos de Classificação em Bibliotecas (1945)
Headings and Canons (1955);

Headings and Canons é considerado um antecessor do Anglo American Cataloguing Rules – AACR (1967).


As cinco leis da Biblioteconomia.

1 Os livros são para serem usados;

2 Todo livro tem seu leitor;

3 Todo leitor tem seu livro;

4 Poupe o tempo do leitor;

5 A Biblioteca é um organismo em crescimento
.

Marília Ribeiro


July 3rd, 2006 por Tiago Murakami
Em julho estará nas livrarias o novo livro da Série Ciência da Informação e da Comunicação da Thesaurus Editora de Brasília. O livro Organização da Informação na Web, de Ailton Feitosa, é de interesse dos profissionais e estudantes da Ciencia da Informação, área que hoje cresce vertiginosamente. Ailton trata da organização semântica da informação, assunto praticamente desconhecido pela maioria dos navegantes da internet e, hoje, base de uma das maiores empresas do mundo: Google.O livro é um relato da evolução das metodologias de representação da informação na internet, partindo da organização da informação em diretórios de assuntos até chegar à representação do conhecimento por meio de ontologias.O autor, Ailton Feitosa, é doutor em Ciência da Informação pela Universidade de Brasília. Professor universitário e consultor em Tecnologias de Informação e Comunicação, tem como focos de interesse as áreas de web semântica, representação do conhecimento, organização da informação, ontologias, e rich internet applications (RIA). Foi um dos primeiros pesquisadores a investigar as interfaces entre e a Ciência da Informação e a Terceira Geração da Web, abordando, em sua tese de doutorado, a representação da informação legislativa mediada pela integração entre Sistemas Legislativos, Terminologia e Web Semântica.Publicado em: Nos Revista

Bibliotecários ilustres.

Shiyali Ramamrita Ranganathan, Shiyali, Índia (1892-1972).
Bibliotecário, matemático e professor universitário indiano, Ranganathan é o autor do Sistema de Classificação de Colon e das 5 Leis da Biblioteconomia.
SHIYALI RAMAMRITA RANGANATHAN
Ranganathan nasceu em uma vila rual na cidade de Shiyali, estado de Tamil-Nadu no sul da Índia em 09 de agosto de 1892. Sua formação em Matemática ocorreu na instituição de ensino superior Madras Christian College onde obteve o seu licenciamento como professor. Ranganathan foi docente em várias institutições de ensino em Mangalore, Coimbatore e Madras. Escreveu vários trabalhos na área de Matemática, muitos deles em História da Matemática.

Em 1923, a Universidade de Madras criou o posto de Bibliotecário para desenvolver e organizar o seu, até então, pobre acervo. Após um processo seletivo em que passaram 900 candidatos, o Comitê de Pesquisa considerou que nenhum dos postulantes tinha formação e treinamento em Biblioteconomia. Ranganathan satisfez o Comitê de Pesquisa preparando-se para a entrevista através da leitura de um artigo sobre Biblioteconomia na Encyclopaedia Britannica. Ranganathan foi aceito à posição de Bibliotecário em janeiro de 1924.

Inicialmente, Ranganathan considerou que a dedicação exigida pelo cargo era intolerável. Após algumas semanas, mais ambientado e compreenddendo melhor a atividade, Ranganathan solicitou dispensa de suas atividades docentes para dedicar-se totalmente à atividade bibliotecária. O bibliotecário solicitou à Universidade de Madras uma viagem de estudos a Londres para aprimorar-se nos conhecimentos e práticas atualizadas em Biblioteconomia.

Ranganathan viajou até a University College London que possuia o único programa de graduação em Biblioteconomia no Reino Unido. Em seus estudos, Ranganathan aprofundou-se nos assuntos afetos à classificação, tema sedutor para sua mente “matemática”, entre eles a popular classificação decimal em que Ranganathan exploraria novas possibilidades.

Ranganathan desenhou, ainda na Inglaterra, a Classificação de Colon que seria refinada em seu retorno à India. Além da Classificação de Colon, o retorno à Índia trouxe em sua bagagem uma profunda paixão pelas Bibliotecas e pela Biblioteconomia e a visão da importância da área para a nação indiana. O bibliotecário retomou a sua posição de Bibliotecário na Universidade de Madras mas também ajudou a fundar Associação de Bibliotecas de Madras que exerceu um ativo “lobby” em prol da implantação de bibliotecas públicas na Índia e criação da Biblioteca Nacional da Índia.

Ranganathan era considerado um “workaholic”. Durante as quase duas décadas em que trabalhou em Madras, Ranganathan realizava jornadas diárias de 13 horas, sete dias por semana. Ranganathan casou-se em novembro de 1928 e retornou ao trabalho logo depois da cerimônia de casamento. Seu casamento com Sarada durou até a sua morte e o casal teve um único filho.

Para consolo de muitos bibliotecários que passam por problemas com as administrações superiores de instituições de ensino superior, Ranganathan retirou-se de sua posição de Bibliotecário da Universidade de Madras após entrar em conflito com o novo Vice-Chanceler da Universidade. Com 54 anos, resignou-se, após um período de depressão, aceitando a docência em Biblioteconomia na Universidade Hindu in Banaras, sua última posição acadêmica, em agosto de 1945. Em Banaras, Ranganatan classificou, pessoalmente, 100.000 itens bibliográficos em 4 anos.

Ranganathan liderou a Associação Indiana de Bibliotecas de 1944 a 1953. O bibliotecário alimentou controvérsias quando a Biblioteca Pública de Delhi optou pela Calssificação Decimal de Dewey em detrimento de sua Classificação de Colon. Ranganathan foi professor hanorário da Universidade de Delhi entre 1949 a 1955 e ajudou a construir o programa de Biblioteconomia da Universidade junto com S. Das Gupta, seu aluno.

Ranganathan mudou-se para Zurich em 1955 onde morou até 1957 por ocasião do casamento de seu filho com uma européia. Quando retornou para Índia, instalou-se em Bangalore onde viveu até seus últimos dias. Ainda em Zurich, Ranganathan abriu mão de sua posição de professor da Universidade de Madras em homenagem aos 30 anos de dedicação de sua esposa, um gesto irônico de retaliação aos muitos anos de perseguição sofrido por ele imposto pela administração da Universidade.

O Centro de Documentação em Pesquisa e Formação em Bangalore foi a última instituição em que Ranganathan atuou (1962 a 1965) servindo como diretor honorário durante cinco anos. Em 1965, Ranganathan foi condecorado pelo governo indiano com o título de “National Research Professor”.

Nos últimos anos de sua vida, Ranganathan teve sua saúde comprometida passando longo tempo confinado em sua cama. Em 27 de setembro de 1972 morreu por complicações decorrentes de bronquite.

Ranganathan é considerado o pai de Biblioteconomia na Índia e sua influência continua em todo mundo. Entre as suas contribuições à Biblioteconomia está o primeiro sistema de classificação analítico-sintético, a Classificação de Colon.

Ranganathan era um autor prolífico e entre as suas importantes obras estão:
As cinco leis da Biblioteconomia (1931);
Classified Catalogue Code (1934);
Prolegômenos à Classificação em Bibliotecas (1937)
Elementos de Classificação em Bibliotecas (1945)
Headings and Canons (1955);

Headings and Canons é considerado um antecessor do Anglo American Cataloguing Rules – AACR (1967).


As cinco leis da Biblioteconomia.

1 Os livros são para serem usados;

2 Todo livro tem seu leitor;

3 Todo leitor tem seu livro;

4 Poupe o tempo do leitor;

5 A Biblioteca é um organismo em crescimento.

Monday, July 17, 2006

PERFIL DO BIBLIOTECÁRIO:UMA REALIDADE BRASILEIRA


Podemos verificar uma mudança no perfil do bibliotecário brasileiro, no século XX, desde o surgimento do primeiro curso de biblioteconomia no país, realizado na Biblioteca Nacional, em 1910, até os dias atuais com o advento das novas tecnologias informacionais e novas técnicas de gerenciamento, alterando assim, o perfil desse profissional no decorrer do século.
PERFIL DO BIBLIOTECÁRIO TRADICIONAL
"Conforme Castro (2000), podemos verificar alguns aspectos do perfil do bibliotecário tradicional, tais como:o Demasiada atenção às técnicas biblioteconômicaso Atitudes gerenciais ativaso Desenvolvimento de práticas profissionais em espaços determinados: bibliotecas, centro de documentaçãoo Tratamento e disseminação de informação impressa em suportes tradicionaiso Espírito crítico e bom sensoo Atendimento real ao usuárioo Uso tímido das tecnologias de informação (ou nenhum tipo de uso de tecnologia)o Domínio de línguas estrangeiras (ou nenhum conhecimento de outro idioma)o Práticas interdisciplinares pouco representativaso Pesquisas centradas nas abordagens quantitativaso Estudo das necessidades de informação dos usuários e avaliação de coleções de bibliotecaso Relação biblioteca e sociedadeo Domínio acentuado nos saberes biblioteconômicoso Planejamento e gerenciamento de bibliotecas e centros de documentaçãoo Preocupação no armazenamento e conservação das coleções de documentos e objetoso Educação continuada esporádicao Treinamento em recursos bibliográficoso Tímida participação em políticas sociais, educacionais, científicas e tecnológicaso Personalidade tímida, pouco comunicativo, com atitudes retrógradas, necessidade de restringir o acesso às informações e inseguro nas tomadas de decisões. Enfim, podemos verificar que o perfil do bibliotecário tradicional divide-se em três partes distintas:1) Visto como um preservador - aquele profissional que atua como organizador do conhecimento registrado para garantir seu acesso, ou seja, aquele profissional que limita-se a guardar o seu acervo e disponibilizá-lo o menos possível. Esse profissional possui características de manipular a informação ao invés de disseminá-la;2) Visto como um educador - ele age como professor, fornecendo informações e preparando os indivíduos para buscá-la de forma autônoma, ou seja, devido principalmente à falta de uma estrutura educacional eficiente, esse profissional torna-se um "professor," substituindo quem deveria exercer a função de professor; 3) Como agente social - onde ele deve ser um comunicador, organizador da informação para sua recuperação, medidor de informações entre o acervo e o público, pesquisador, educador, líder, gerente etc...
PERFIL DO BIBLIOTECÁRIO MODERNO
Em 1991, a Federação Internacional de Informação e Documentação (FID) criou o Grupo de Interesse Específico sobre Papéis, Carreiras e Desenvolvimento do Moderno Profissional da Informação (SIG FID/MIP), envolvendo profissionais das áreas de biblioteconomia, arquivologia, museologia e administração, realizando uma pesquisa mundial entre esses profissionais para identificar seu perfil. Segundo Arruda (2000), essa pesquisa desponta a tecnologia como propulsora das principais modificações no perfil desses profissionais, seguida por elementos de gestão organizacional e do trabalho, tais como: identificação do trabalho, aumento da responsabilidade individual, influência no mercado internacional e da competitividade. Assim, verificamos que a inserção das novas tecnologias, bem como novas formas de gerenciamento transformaram o perfil do bibliotecário.Atualmente, algumas qualificações são necessárias na formação desses bibliotecários, tais como:o Domínio das tecnologias de informaçãoo Aquisição de mais de um idiomao Capacidade de comunicação e de relacionamento interpessoalo Capacidade gerencial e administrativao Administração estratégicao Educação continuadao Planejamento estratégicoo Adaptabilidade socialo Visão interna e externa do ambienteo Gestão participativa envolvendo todos os funcionários da unidade de informaçãoo Tomada de decisões compartilhadaso Trabalhar em equipe de forma globalizada e regionalizadao Deve ser participativo, flexível, inovador, criativo, delegar poderes facilitando a interação entre os níveis hierárquicos e a comunicação entre eles.Segundo Castro (2000), podemos verificar alguns aspectos do perfil do bibliotecário moderno, tais como:o Atenção às técnicas biblioteconômicas e documentaiso Atitudes gerenciais pró-ativaso Desenvolvimento de atividades em espaços onde haja necessidade de informaçãoo Tratamento e disseminação de informação, independente do suporte físicoo Espírito crítico e bom sensoo Atendimento real e/ou virtual aos clienteso Profundo conhecedor dos recursos informacionais disponíveis e das técnicas de tratamento da documentação com domínio das tecnologias mais avançadaso Domínio de línguas estrangeiraso Ativas práticas interdisciplinareso Fusão entre as abordagens qualitativas e quantitativaso Estudo das necessidades de informação dos clientes e avaliação dos recursos dos sistemas de informaçãoo Relação informação e sociedadeo Domínio dos saberes biblioteconômicos e áreas afinso Planejamento e gerenciamento de sistemas de informaçãoo Preocupação na análise, comunicação e uso da informaçãoo Intenso processo de Educação continuadao Treinamento em recursos informacionaiso Ativa participação nas políticas sociais, educacionais, científicas e tecnológicas."
Por Robson Dias Martins Bibliotecário responsável pela Biblioteca Setorial Madureira
retirado do site: www.sindibrj.com.br/artigos/0001.htm

Tuesday, July 11, 2006

PERFIL DO BIBLIOTECÁRIO

- ser ético é não sonegar informação;
- ser ético é atender com educação os clientes;
- ser ético é valorizar a profissão em quaisquer situação ou lugar em que o profissional se encontre;
- é não ser conivente com atitudes contrárias às normas estabelecidas pela legislação profissional;
- é interagir e comunicar-se com diferentes tipos de público, sem discriminação de cor, raça, nacionalidade, religião ou ideologia;
-é lutar por melhores salários e melhores condições de trabalho;
-é engajar-se no movimento de classe, conselho, associação, sindicatos;
-é buscar atualização contínua;
-é reivindicar uma formação profissional de qualidade;
-é combater o exercício ilegal da profissão;
-é lutar por melhores empregos e exigir do governo abertura de vagas para bibliotecários nas diferentes instituições do setor público;
- é ser empreendedor, fazer valer a profissão liberal;

Carla Soares

Saturday, July 08, 2006

O que é biblioteconomia?



Biblioteconomia
Conceito:
A biblioteconomia é a atividade profissional que compreende o conjunto de organismos, operações técnicas e princípios que dão aos documentos gráficos e não-gráficos o máximo de utilidade possível, ou ainda, a ciência que se ocupa do conjunto de conhecimentos teóricos e técnicos indispensáveis para armazenar, recuperar e disseminar informações em qualquer tipo de veículo ou formato, de maneira ágil, eficaz e dinâmica.
Curso:
O curso de Biblioteconomia tem como objetivos:
Formar profissionais capazes de acompanhar as transformações da sociedade, compreendendo o papel da biblioteca neste processo, capazes de identificar demandas de informação e propor soluções inovadoras;
Preparar profissionais para atuarem como especialistas no tratamento e difusão de informações, apoiados nas tecnologias da informação;
Capacitar profissionais para atuarem a nível de planejamento, administração, assessoria e prestação de serviços em redes e sistemas, bibliotecas, centros de documentação, serviços de informação;
Habilitar profissionais para a realização de pesquisas relativas à utilização da informação;
Preparar profissionais para o planejamento, implantação e desenvolvimento de atividades de ação cultural.
Bibliotecário:
A profissão de Bibliotecário está enquadrada como profissão liberal pelos termos da Portaria nº 162, de 07/10/1958, do Ministério do Trabalho e, tendo como base o disposto no Art. 577 da Consolidação das Leis do Trabalho, está compreendida no grupo 19 do plano da Confederação Nacional das Profissões Liberais. A designação profissional de Bibliotecário é privativa dos Bacharéis em Biblioteconomia, a partir da promulgação da Lei nº 4084, de 30/06/1962, que dispõe sobre a profissão de Bibliotecário e regula seu exercício.O Bibliotecário tem um papel cada vez mais importante como mediador entre o homem e o conhecimento registrado, pois atua nas mais diversas áreas das ciências, da pesquisa científica à extensão cultural, no apoio ao ensino e aprendizagem, da pré-escola à pós-graduação.É um disseminador de informação registrada que atua no mercado de trabalho difundindo o hábito da leitura e incentivando o uso da informação em seus múltiplos suportes.Além de especialista no tratamento da informação, é responsável pela democratização do acesso à mesma, contribuindo para o desenvolvimento social e os avanços científicos e tecnológicos.
Campo de Trabalho:
A característica multidisciplinar da profissão garante ao Bibliotecário um amplo campo de trabalho, não só em relação às áreas do conhecimento, seja no âmbito dos órgãos públicos, nas empresas privadas ou na indústria em geral.O campo de trabalho do Bibliotecário, tradicionalmente constituído por bibliotecas (públicas, escolares, infantis, especializadas e universitárias), expandiu-se para atender à explosão editorial e à conseqüente diversificação de informações essenciais para empresas, instituições de pesquisa, comércio e indústria.O Bibliotecário pode desempenhar suas funções em Bibliotecas, Centros e Serviços de Documentação e Informação, Arquivos, Museus, Editoras, Cinematecas, Vídeo-Clubes, Emissoras de Rádio e Televisão, Jornais, Assessorias (parlamentares, empresariais, jurídicas, educacionais), desenvolver e administrar Bancos de Dados e Bases de Dados, integrar equipes de manutenção de Web Sites na Internet ou ainda exercer a profissão como autônomo.


Morgana Ramos